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Polônia (1864)

Machado de Assis (1839–1908)

Poesia3 min de leitura2 páginas

O começo

E ao terceiro dia a alma deve voltar ao / corpo, e a nação resuscitará. / Miçkiewiez — Livro da nação polaca .

Como aurora de um dia desejado, / Clarão suave o horizonte inunda. / É talvez amanhã. A noite amarga / Como que chega ao termo; e o sol dos livres, / Cangado de te ouvir o inútil pranto, / Alfim ressurge no dourado Oriente.

Eras livre, — tão livre como as águas / Do teu formoso, celebrado rio; / A corôa dos tempos / Cingia-te a cabeça veneranda; / E a desvelada mãe, a irmã cuidosa, / A santa liberdade, / Como junto de um berço precioso, / Á porta dos teus lares vigiava.

Eras feliz demais, demais formosa; / A sanhuda cobiça dos tiranos / Veio enluctar teus venturosos dias… / Infeliz! a medrosa liberdade / Em face dos canhões espavorida / Aos reis abandonou teu chão sagrado; / Sobre ti, moribunda, / Viste cair os duros opressores: / Tal a gazela que percorre os campos, / Se o caçador a fere, / Cahe convulsa de dor em mortais ânsias, / E vê no extremo arranco / Abater-se sobre ela / Escura nuvem de famintos corvos.

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