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Conversão de um Avaro

Machado de Assis (1839–1908)

Contos26 min de leitura23 páginas

O começo

Os vícios equilibram-se muita vez; outras vezes neutralizam-se ou vence um a outro… Há pecados que derrubam pecados, ou, pelo menos, quebram-lhes as pernas.

Gil Gomes tinha uma casa de colchões em uma das ruas do bairro dos Cajueiros. Era um homem de cinquenta e dois anos, cheio de corpo, vermelho e avaro.

Ganhara um bom pecúlio a vender colchões e a não usar nenhum. Note-se que não era homem sórdido, pessoalmente desasseado; não. Usava camisa lavada, calça e rodaque lavados. Mas era a sua maior despesa. A cama era um velho sofá de palhinha; a mobília eram duas cadeiras, uma delas quebrada, uma mesa de pinho e um baú. A loja não era grande nem pequena, mas regular, cheia de mercadoria. Tinha dois operários.

Era mercador de colchões esse homem, desde 1827. Esta história passa-se em 1849. Nesse ano adoeceu Gil Gomes e um amigo, que morava no Engenho Velho, levou-o para casa, pelo motivo ou pretexto de que na cidade não poderia curar-se bem.

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