Clódia
Machado de Assis (1839–1908)
O começo
Era Clódia a vergôntea ilustre e rara / De uma família antiga. Tez morena, / Como a casca do pêssego, deixava / Transparecer o sangue e a juventude. / Era a romana ardente e imperiosa / Que os ecos fatigou de Roma inteira / Coa narração das longas aventuras. / Nunca mais gentil fronte o sol da Itália / Amoroso beijou, nem mais gracioso / Corpo envolveram túnicas de Tiro. / Sombrios, como a morte, os olhos eram. / A vermelha botina em si guardava / Breve, divino pé. Úmida boca, / Como a rosa que os zéfiros convida, / Os beijos convidava. Era o modelo / Da luxuosa Lâmia, - aquela moça / Que o marido esqueceu, e amou sem pejo / O músico Polião. De mais, fazia / A ilustre Clódia trabalhados…
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