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A Inglesinha Barcelos

Machado de Assis (1839–1908)

Contos19 min de leitura16 páginas

O começo

Eram trintonas. Cândida era casada, Joaninha solteira. Antes deste dia de março de 1886, viram-se pela primeira vez em 1874, em casa de uma professora de piano. Quase iguais de feições, que eram miúdas, meãs de estatura, ambas claras, ambas alegres, havia entre elas a diferença dos olhos; os de Cândida eram pretos, os de Joaninha azuis. Esta cor era o encanto da mãe de Joaninha, viúva do Capitão Barcelos, que lhe chamava por isso “a minha inglesa”. — Como vai a sua inglesa? perguntavam-lhe as pessoas que a queriam lisonjear. E a boa senhora ria-se dalma, agradecia com palavras, com gestos, quase com beijos. Dentro de algum tempo já a moça era conhecida no bairro pela inglesinha Barcelos. O…

Era mais próspera a situação de Candinha. Filha de um comerciante, conhecido por Chico Fernandes, abastado e trabalhador, casou bem, com um advogado do Norte, que veio para o Rio de Janeiro deputado, deixou a política, ou a política o deixou a ele, e abriu banca de advocacia. Era moço, forte, estudioso: deu um único desgosto ao sogro, foi o de não ser Ministro do Estado. Este era o sonho de Chico Fernandes. Parece que consentiu logo no casamento, justamente com a mira em vir a ser “sogro do governo”, como ele mesmo dizia, brincando, no tempo em que o genro era deputado. Mas o governo mudou de família, e o Chico Fernandes não se consolou. A filha é o que o consolou dando-lhe um neto.

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