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Passeio Dominical

Amadeu Amaral (?–1929)

Biografia e memórias3 min de leitura3 páginas

O começo

Hoje, domingo, quando cheguei ao meu posto de espera, por volta de meio-dia, lá estava, em fila, uma família pobre.

Era visível que tinham destinado o dia para passeio e que esse passeio era para eles um acontecimento. Respiravam timidamente a frescura das impressões novas.

O chefe, homem de meia-idade, ia frouxamente embrulhado num terno de brim pardo reluzente do ferro de engomar e onde mal se dissimulava uma carta topográfica de remendos e serziduras. O chapéu mole, puído e bambo tinha sido cuidadosamente armado sobre os cabelos crescidos, repuxados a pente para trás das orelhas, onde formavam caracóis. A camisa era limpa, e um sorriso satisfeito, que se diria igualmente lavado com sabão de cinza, ao jorro da torneira sobre a tina, se lhe abria na cara tostada, como uma toalha a corar ao sol.

Pois filhos buliçosos, entre os seis e os dez anos, enfarpelados à marinheira, com grandes colarinhos deitados, por cuja abertura se estripavam altos laçarotes de fita escocesa. Tinham chapéus de palha amarela com cintas atuis, nos quais se liam nomes de navios de guerra: "Aquidabá", "Timbira", em letras douradas. Traziam bengalinhas, demasiado compridas e pareciam mais atrapalhar-se do que divertir-se com esse luxo desacostumado.

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