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Volto ao Camões

Lima Barreto (1881–1922)

Crítica literária5 min de leitura4 páginas

O começo

Raramente vou ao teatro, embora, às vezes passe noites inteiras em claro a perambular pelas ruas e botequins; mas, de quando em quando, gosto de ler as notícias que os jornais dão das "premières", sobretudo em se tratando de peças portuguesas.

Há dias li o "compte-rendu" de uma peça do Sr. Júlio Dantas - O Reposteiro Verde.

Sei bem que é de bom alvitre não julgarmos uma obra literária pelo seu resumo; mas a regra não é tão absoluta como querem por aí certos doutores artísticos cujas asserções trazem o vício de origem do interesse próprio ou dos seus chegados.

Encontram-se trabalhos literários que, por serem valiosos pelo fulgor do seu desenvolvimento, pelo rigor das cenas, pela percuciente análise dos personagens, pela largueza de vistas do autor, não podem ser resumidos e o resumo nada diz deles, mas há outros em que diz muito.

Esse drama do Sr. Júlio Dantas, pelos resumos por mim lidos nos jornais, não passa de um dramalhão de capa e espada, cheio de assassinatos e outros matadores da velha escola; entretanto, mantém-se ainda no cartaz.

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