Critica (Machado de Assis, 1910)
Machado de Assis (1839–1908)
O começo — Advertencia
Depois de ler este livro, perguntará o leitor naturalmente por que é que o autor destes excelentes trabalhos de critica, não a fez com a assiduidade com que cultivou outro gênero de literatura. As pajinas aqui recolhidas são uma mostra cabal de que ele era um critico exímio e seria, querendo-o, um dos melhores que já escreveram na língua portuguesa. Possuía para o ser todas as qualidades: o conhecimento das literaturas estrangeiras e da nacional, o conceito esclarecido, a izenção do espirito, e a capacidade rara de abstrair o próprio gosto para a justa apreciação de ideias e processos de autores e de escolas.
Suponho que ele estreou a sua carreira nas letras, ao mesmo no jornal justamente pela critica. E talvez não erro afirmando que era esta a feição principal do seu enjenho. Atestam-no as suas primeiras como as suas últimas crônicas, onde a fantazia a cade passo cede o logar que ali é próprio dela às considerações do espirito afeito à analizes de obras literárias. Essa feição não exclue outros nem é incompatível com as faculdades da imajinação e criação. O que me parece é que era a principal e as outras lhe estavam subordinadas. Em um meio de maior cultura e produção, Machado de Assis teria achado matéria bastante e farta para lhe estimular e ocupar a atenção e o estudo critico. No Brazil,…
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