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Lição de Botânica

Machado de Assis (1839–1908)

Teatro27 min de leitura24 páginas

O começo — CENA I CENA I

D. Leonor entra, lendo uma carta, D. Helena e D. Cecília entram no fundo.

D. HELENA - Já de volta!

D. CECÍLIA (a D. Helena, depois de um silÊncio) - Será alguma carta de namoro?

D. HELENA (Baixo) - Criança!

D. LEONOR - Não me explicarão isto?

D. HELENA - Que é?

D. LEONOR - Recebi ao descer do carro este bilhete: "Minha senhora. Permita que o mais respeitoso vizinho lhe peça dez minutos de atenção. Vai nisto um grande interesse da ciência". Que tenho eu com a ciência?

D. HELENA - Mas de quem é a carta?

D. LEONOR - Do Barão Sigismundo de Kernoberg.

D. CECÍLIA - Ah! o tio de Henrique!

D. LEONOR - De Henrique! Que familiaridade é essa?

D. CECÍLIA - Titia, eu…

D. LEONOR Eu que?… Henrique!

D. HELENA - Foi uma maneira de falar na ausência. Com que então o Sr. Barão Sigismundo de Kernoberg pede-lhe dez minutos de atenção, em nome e por amor da ciência. Da parte de um botânico é por força alguma égloga.

D. LEONOR - Seja o que for, não sei se deva receber um senhor a quem nunca vimos. Já o viram alguma vez?

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