Lição de Botânica
Machado de Assis (1839–1908)
O começo — CENA I CENA I
D. Leonor entra, lendo uma carta, D. Helena e D. Cecília entram no fundo.
D. HELENA - Já de volta!
D. CECÍLIA (a D. Helena, depois de um silÊncio) - Será alguma carta de namoro?
D. HELENA (Baixo) - Criança!
D. LEONOR - Não me explicarão isto?
D. HELENA - Que é?
D. LEONOR - Recebi ao descer do carro este bilhete: "Minha senhora. Permita que o mais respeitoso vizinho lhe peça dez minutos de atenção. Vai nisto um grande interesse da ciência". Que tenho eu com a ciência?
D. HELENA - Mas de quem é a carta?
D. LEONOR - Do Barão Sigismundo de Kernoberg.
D. CECÍLIA - Ah! o tio de Henrique!
D. LEONOR - De Henrique! Que familiaridade é essa?
D. CECÍLIA - Titia, eu…
D. LEONOR Eu que?… Henrique!
D. HELENA - Foi uma maneira de falar na ausência. Com que então o Sr. Barão Sigismundo de Kernoberg pede-lhe dez minutos de atenção, em nome e por amor da ciência. Da parte de um botânico é por força alguma égloga.
D. LEONOR - Seja o que for, não sei se deva receber um senhor a quem nunca vimos. Já o viram alguma vez?
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