A Felicidade
Machado de Assis (1839–1908)
O começo
— Vem ao seu almoço, não?
— São horas; traga-me hoje duas torradas.
— E o café com leite?
— Que pergunta!
Passava-se este diálogo no Carceller, em uma manhã do ano de 1860, entre um dos caixeiros da casa e um constante freguês que ali se demorava perto de duas horas almoçando e lendo os jornais. O caixeiro não se demorou em servir o freguês; veio a clássica bandeja com o açucareiro, a cafeteira, a leiteira, a xícara, as torradas, os palitos e o guardanapo.
— Agora o Jornal do Commercio.
— Está ocupado.
— E o Diário?
— Também está ocupado.
— Onde está o Jornal?
— Tem-no aquele sujeito de gravata amarela.
O freguês resignou-se e começou a almoçar dividindo a sua atenção entre as torradas e o sujeito da gravata amarela. Posto que muitas vezes se desse aquele inconveniente de já estar ocupado o Jornal do Commercio, o nosso homem parecia extremamente irritado, e a um observador fino não seria difícil conhecer que ele tinha um sistema nervoso de fácil irritação.
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