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A Felicidade

Machado de Assis (1839–1908)

Contos21 min de leitura19 páginas

O começo

— Vem ao seu almoço, não?

— São horas; traga-me hoje duas torradas.

— E o café com leite?

— Que pergunta!

Passava-se este diálogo no Carceller, em uma manhã do ano de 1860, entre um dos caixeiros da casa e um constante freguês que ali se demorava perto de duas horas almoçando e lendo os jornais. O caixeiro não se demorou em servir o freguês; veio a clássica bandeja com o açucareiro, a cafeteira, a leiteira, a xícara, as torradas, os palitos e o guardanapo.

— Agora o Jornal do Commercio.

— Está ocupado.

— E o Diário?

— Também está ocupado.

— Onde está o Jornal?

— Tem-no aquele sujeito de gravata amarela.

O freguês resignou-se e começou a almoçar dividindo a sua atenção entre as torradas e o sujeito da gravata amarela. Posto que muitas vezes se desse aquele inconveniente de já estar ocupado o Jornal do Commercio, o nosso homem parecia extremamente irritado, e a um observador fino não seria difícil conhecer que ele tinha um sistema nervoso de fácil irritação.

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