Perguntas sem Resposta
Machado de Assis (1839–1908)
O começo
Venus Formosa, Venus fulgurava / No azul do céu da tarde que morria, / Quando à janela os braços encostava / Pallida Maria.
Ao ver o noivo pela rua umbrosa, / Os longos olhos ávidos enfia, / E fica de repente cor de rosa / Pallida Maria.
Correndo vinha no cavalo baio, / Que ela de longe apenas distinguia, / Correndo vinha o noivo, como um raio… / Pallida Maria!
Três dias são, três dias são apenas, / Antes que chegue o suspirado dia,
Em que eles porão termo às longas penas… / Pallida Maria!
De confusa, naquele sobressalto, / Que a presença do amado lhe trazia, / Olhos acesos levantou ao alto / Pallida Maria.
E foi subindo, foi subindo acima / No azul do céu da tarde que morria, / A ver se achava uma sonora rima… / Pallida Maria!
Rima de amor, ou rima de ventura, / As mesmas são na escala da harmonia. / Pousa os olhos em Venus que fulgura / Pallida Maria.
E o coração, que de prazer lhe bate, / Acha no astro a fraterna melodia / Que à natureza inteira dá rebate… / Pallida Maria.
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