Não Consultes Médico
Machado de Assis (1839–1908)
O começo — CENA I CENA I
MAGALHÃES - Esta gente não terá vindo?
D. ADELAIDE - Parece que não. Já saíram há um bom pedaço; felizmente o dia está fresco. Titia estava tão contente ao almoço! E ontem? Você viu que risadas que ela dava, ao jantar, ouvindo o Dr. Cavalcante? E o Cavalcante sério. Meu Deus, que homem triste! que cara de defunto!
MAGALHÃES - Coitado do Cavalcante! Mas que quererá ela comigo? Falou-me em um obséquio.
D. ADELAIDE - Sei o que é.
MAGALHÃES - Que é?
D. ADELAIDE - Por ora é segredo. Titia quer que levemos Carlota conosco.
MAGALHÃES - Para a Grécia?
D. ADELAIDE - Sim, para a Grécia.
MAGALHÃES - Talvez ela pense que a Grécia é em Paris. Eu aceitei a legação de Atenas porque não me dava bem em Guatemala e não há outra vaga na América. Nem é só por isso; você tem vontade de ir acabar a lua de mel na Europa… Mas então Carlota vai ficar conosco?
D. ADELAIDE - É só algum tempo. Carlota gostava muito de um tal Rodrigues, capitão de engenharia, que casou com uma viúva espanhola. Sofreu muito, e ainda agora anda meia triste; titia diz que há de curá-la.
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