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Capa de Oliveira Lima: Secretário d'el-Rei

Oliveira Lima: Secretário d'el-Rei

Machado de Assis (1839–1908)

Crítica literária3 min de leitura3 páginas

O começo

O Sr. Dr. Oliveira Lima, entre um e outro livro de história, dá-nos agora uma comédia. Que vos não assuste este nome, vós que não amais as formas fáceis de literatura; nem esta é tão fácil, como podeis crer, nem deixa de envolver um caso psicológico interessante. Acrescentai-lhe o quadro e a língua, e tereis um volume de ler, reler e guardar.

Com razão chama o autor ao seu Secretário d´El-Rei uma peça nacional, embora a ação se passe na nossa antiga metrópole, por aqueles anos de D. João V. É duas vezes nacional, em relação à sociedade de Lisboa.

A aventura que constitui a ação é do lugar e do tempo; as pessoas e os atos que figuram nela caracterizam bem a capital dos reinos, com as máscaras dos namorados noturnos, a gelosia de sua dama, o encontro de vadios, capas enroladas, espadas nuas, mortos, feridos, a ronda, todo o cerimonial de uma aventura daquelas. Meteu-lhes o autor o próprio irmão do rei, infante D. Francisco, ainda que o não traga à cena, e a própria amada do secretário, que entra a pedir a absolvição do outro amado por ela, e com esta complicação política e pessoal dividiu o interesse da ação.

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