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O Filho de Gabriela

Lima Barreto (1881–1922)

Contos17 min de leitura15 páginas

O começo

Mais l'échec même sert".

Guyau

— ABSOLUTAMENTE não pode continuar assim… Já passa… É todo o dia! Arre! - Mas é meu filho, minh'ama.

E que tem isso? Os filhos de vocês agora têm tanto luxo. Antigamente, criavam-se à toa; hoje, é um deus-nos-acuda; exigem cuidados, têm moléstias… Fique sabendo: não pode ir amanhã!

— Ele vai melhorando, Dona Laura; e o doutor disse que não deixasse de levá-lo lá, amanhã…

— Não pode, não pode, já lhe disse! O conselheiro precisa chegar cedo à escola; há exames e tem que almoçar cedo… Não vai, não senhora! A gente tem criados pra que? Não vai, não!

— Vou, e vou sim!… Que bobagem.!… Quer matar o pequeno, não é? Pois sim… Está-se "ninando"…

— O que é que você disse, hein?

— É isso mesmo: vou e vou!

— Atrevida.

— Atrevida é você, sua… Pensa que não sei…

Em seguida as duas mulheres se puseram caladas durante um instante: a patroa - uma alta senhora, ainda moça, de uma beleza suave e marmórea - com os lábios finos muito descorados e entreabertos, deixando ver os dentes aperolados, muito iguais, cerrados de cólera; a criada agitada, transformada, com faiscações desusadas nos olhos pardos e tristes. A patroa não se demorou assim muito tempo. Violentamente contraída naquele segundo a sua fisionomia repentinamente se abriu num choro convulsivo.

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