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Não É Mel para Boca de Asno

Machado de Assis (1839–1908)

Contos28 min de leitura24 páginas

O começo — I

Era um dia de procissão de Corpus Christi, que a igreja do Sacramento preparara com certo luxo.

A Rua do Sacramento, a do Hospício, o Largo do Rocio estavam mais ou menos cheios de povo que aguardava o préstito religioso.

Na janela de uma casa do Rocio, atulhada de gente como todas as janelas daquela rua, havia três moças, duas das quais pareciam irmãs, não só pela semelhança das feições, mas ainda pela identidade dos vestidos.

A diferença é que uma era morena, e possuía belíssimos cabelos negros, ao passo que a outra tinha a tez clara e os cabelos castanhos.

Essa era a diferença que se podia enxergar cá debaixo, porque se as examinássemos de perto veríamos no rosto de cada uma delas os traços distintivos que separavam aquelas duas almas.

Para sabermos os seus nomes não é preciso subir à casa; basta aproximarmo-nos de dois rapazes que da esquina da Rua do Conde olham para a casa, que ficava do lado da Rua do Espírito Santo.

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