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Velho Fragmento

Machado de Assis (1839–1908)

Poesia5 min de leitura5 páginas

O começo

Reinava / Affonso VI. Da corôa em nome / Governava Alvarenga, incorruptível / No serviço do rei, astuto e manso, / Alcaide-mór e protetor das armas; / No mais, amigo deste povo infante, / Em cujo seio plácido vivia / Até que uma revolta misteriosa / Na cadeia o meteu. O douto Mustre / A vara de ouvidor nas mãos sustinha.

Que lance há aí, nessa comedia humana, / Em que não entrem moças? Descorada, / Como heroína de romance do hoje, / Alva, como as mais alvas deste mundo, / Tal, que disseras lhe negara o sangue / A madre natureza, Margarida / Tinha o suave, delicado aspecto / De uma santa de cera, antes que a tinta / O matiz beatifico lhe ponha, / Era alta e fina, senhoril e bela, / Delicada e subtil. Nunca mais vivo / Transparecera em rosto de donzela / Vergonhoso pudor, agreste e rude, / Que até de uns simples olhos se offendia / E chegava a corar, se o pensamento / Lhe adivinhava anônimo suspiro / Ou remota ambição de amante ousado. / Era vê-la, ao domingo, caminhando / Á missa, co’os parentes o os…

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