Manoel de Ó Bernardo
Sílvio Romero (?–1914)
O começo
Indo eu para a novena / Na vila da Floresta, / O major Antônio Lucas / Convidou-me para a festa. / “Seu major António Lucas, / Como é que eu hei de ir? / Quem anda por terra alheia / Não tem roupa pra vestir. / — Dou-te cavalo de sela, / E roupa pra te vestir, / Dinheiro para comeres, / Escravo pra te servir. / —Estava jantando em casa / Um dia bem descansado, / Quando dei fé que chegava / Cavalo fino selado: / "Seu major manda dizer / Que é já tempo do chamado!" / Quando eu saí de casa / Logo peguei a encontrar, / Era homens e mulheres… / — "Vai cantar com Rio-Preto?
É melhor que não vá la… / Porque se importa esta gente / Da desgraça que cometo? / Hão de ter logo notícia / Que fim levou Rio-Preto. / Quando ganhei lá por dentro / Naquele campo mais largo, / O povo que eu encontrava / De mim ficava pasmado: / "Queira Deus este não seja / Manoel de O' Bernardo!" / Distante bem quinze léguas / De mim tiveram notícias; / Ao major Antônio Lucas / Foram pedir as alviças. / Era gente pra me ver / Como a doutor na justiça, / E o povo de Rio-Preto / Era urubu na carniça. / Seu major Antônio Lucas, / Quando ele me enxergou, / Botou oclo de arcance: / "Lá vem o meu cantador!" / Quando fui chegando em casa, / Na entrada do terreiro, / Antes de lhe dizer adeus, /…
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