Francisco de Castro: Harmonias Errantes
Machado de Assis (1839–1908)
O começo
Meu caro Poeta, - Pede-me a mais fácil e a mais inútil das tarefas literárias: apresentar um poeta ao Público. Custa pouco dizer em algumas linhas ou em algumas páginas, de um modo simpático e benévolo, porque a benevolência necessária aos talentos sinceros, como o seu, custa pouco dizer que impressões nos deixaram os primeiros produtos de uma vocação juvenil.
Mas não é, ao mesmo tempo, uma tarefa inútil? Um livro é um livro; vale o que efetivamente é. O leitor quer julgá-lo por si mesmo; e, se não acha no escrito que o precede, - ou a autoridade do nome, - ou a perfeição do estilo e a justeza das ideias, - mal se pode furtar a um tal ou qual sentimento de enfado. O estilo e as ideias dar-lhe-iam a ler uma boa página, - um regalo de sobra; a autoridade do nome enchê-lo-ia de orgulho; se a impressão da crítica coincidira com a dele. Suponho ter ideias justas: mas onde estão as outras duas vantagens? Seu livro vai ter uma página inútil.
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