Desencantos
Machado de Assis (1839–1908)
O começo — Parte I
CLARA - Custa a crer o que me diz. Pois deveras saiu aborrecido do baile?
LUIZ - É verdade.
CLARA - Dizem entretanto que esteve animado…
LUIZ - Esplêndido!
CLARA - Esplêndido, sim!
LUIZ - Maravilhoso.
CLARA - Essa é, pelo menos, a opinião geral. Se eu lá fosse, estou certa de que seria a minha.
LUIZ - Pois eu lá fui e não é essa a minha opinião.
CLARA - É difícil de contentar nesse caso.
LUIZ - Oh! não.
CLARA - Então as suas palavras são um verdadeiro enigma.
LUIZ - Enigma de fácil decifração.
CLARA - Nem tanto.
LUIZ - Quando se dá preferência a uma flor, à violeta, por exemplo, todo o jardim onde ela não apareça, embora esplendido, é sempre incompleto.
CLARA - Faltava então uma violeta nesse jardim.
LUIZ - Faltava. Compreende agora?
CLARA - Um pouco.
LUIZ - Ainda bem!
CLARA - Venha sentar-se neste banco de relva, à sombra desta árvore copada. Nada lhe falta para compor um idílio, já que é dado a esse gênero de poesia. Tinha então muito interesse em ver lá essa flor?
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