A Visão de Jaciúca
Machado de Assis (1839–1908)
O começo
Prestes de novo a batalhar, chegavam / Os valentes guerreiros. Mas onde ele, / O duro chefe da indomável tribo, / O senhor das montanhas? Afirmava / Tatupeba que o vira, antes da aurora, / Erguer-se, e ao longo do vizinho rio, / Por algum tempo caminhar calado, / Como se o abafara um pensamento / E lhe impedira o sono. Vão receio / De batalhar? Oh! não! Quase na infância, / A torva catadura viu da guerra, / Ofício de homens, que aprendeu brincando / Com seu pai, extremado entre os guerreiros, / E na bravura e na prudência; a frecha / Ninguém soubera menear como ele, / Nem mais veloz nem mais certeira nunca.
A lentos passos caminhando chega, / Enfim, o bravo Jaciúca. Torvo / E merencório traz o duro aspecto. / “— Vamos (diz ele) a descansar na taba, / Entre festas e danças; penduremos / As armas nossas, que sobeja há sido / A glória, e a doce paz nos chama.” / Leve, / Surdo rumor entre os guerreiros soa; / Vai subindo, é rugido, é já tumulto, / Como o grunhir de trajaçus no mato, / Que se aproxima e cresce. Jaciúca / Olhos quietos pelo campo estende; / Seu feio rosto é como a rocha dura / Que o raio quebra, mas não lasca o vento. / Fecha os lábios e pensativo espera.
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