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A Parasita Azul

Machado de Assis (1839–1908)

História1 h de leitura58 páginas

O começo — I

Há cerca de deseseis anos, desembarcava no Rio de Janeiro, vindo da Europa, o sr. Camillo Seabra, goyano de nascimento, que ali fora estudar medicina e voltava agora com o diploma na algibeira e umas saudades no coração. Voltava depois de uma ausência de oito anos, tendo visto e admirado as principais cousas que um homem pode ver e admirar por la, quando não lhe falta gosto nem meios. Ambas as cousas possuía, e se tivesse também, não digo muito, mas um pouco mais de juízo, houvera gozado melhor do que gozou, e com justiça poderia dizer que vivêra.

Não abonava muito os seus sentimentos patrióticos o rosto com que entrou a barra da capital brasileira. Trazia-o fechado e merencorio, como quem abafa em si alguma cousa que não é exatamente a bem-aventurança terrestre. Arrastou um olhar aborrecido pela cidade, que se ia desenrolando à proporção que o navio se dirigia ao ancoradouro. Quando veio a hora de desembarcar fê-lo com a mesma alegria com que o reu transpõe os umbrais do carcere. O escaler afastou-se do navio em cujo mastro flutuava uma bandeira tricolor; Camillo murmurou consigo:

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