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Três Tesouros Perdidos

Machado de Assis (1839–1908)

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O começo

Uma tarde, eram quatro horas, o Sr. X… voltava à sua casa para jantar. O apetite que levava não o fez reparar em um cabriolet que estava parado à sua porta. Entrou, subiu a escada, penetra na sala e… dá com os olhos em um homem que passeava a largos passos como agitado por uma interna aflição.

Cumprimentou-o polidamente; mas o homem lançou-se sobre ele e com uma voz alterada, diz-lhe:

— Senhor, eu sou F…, marido da senhora Dona E…

— Estimo muito conhecê-lo, responde o Sr. X…; mas não tenho a honra de conhecer a senhora Dona E…

— Não a conhece! Não a conhece! … quer juntar a zombaria à infâmia?

— Senhor!…

E o Sr. X… deu um passo para ele.

— Alto lá!

O Sr. F…, tirando do bolso uma pistola, continuou:

— Ou o senhor há de deixar esta corte, ou vai morrer como um cão!

— Mas, senhor, disse o Sr. X., a quem a eloquência do Sr. F… tinha produzido um certo efeito: que motivo tem o senhor…

— Que motivo! É boa! Pois não é um motivo andar o senhor fazendo a corte à minha mulher?

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