La Marchesa de Miramar
Machado de Assis (1839–1908)
O começo
A miserrima Dido / Pelos paços reais vaga ululando. / Garção.
De quanto sonho um dia povoaste / A mente ambiciosa, / Que te resta? Uma pagina sombria, / A escura noite e um tumulo recente.
Ó abismo! Ó fortuna! Um dia apenas / Vio erguer, viu cair teu frágil trono
Meteoro do século, passaste, / Ó triste império, allumiando as sombras. / A noite foi teu berço e teu sepulcro. / Da tua morte os goivos inda achárão / Fuscas as rosas dos teus breves dias; / E no livro da historia uma só folha / A tua vida conta: sangue e lagrimas.
No tranquilo castelo, / Ninho damor, asilo de esperanças, / A mão de aurea fortuna preparára, / Menina e moça, um tumulo aos teus dias. / Junto do amado esposo, / Outra c'rôa cingias mais segura, / A corôa do amor, dádiva santa / Das mãos de Deos. No céu de tua vida / Uma nuvem sequer não sombreava / A esplêndida manhã; estranhos eram / Ao recatado asilo / Os rumores do século.
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