Livros › Machado de Assis › Uma Ode de Anacreonte

Capa de Uma Ode de Anacreonte

Uma Ode de Anacreonte

Machado de Assis (1839–1908)

Poesia18 min de leitura15 páginas

O começo — Abertura

A cena é em Samos.

A cena é em Somos.

Sala de festim em casa de Lysias. A esquerda a mesa do festim; à direita uma mesa tendo em cima uma lampada apagada, e junto da lampada um rolo de papiro.

CENA I LYSIAS, CLEON, MIRTO. (Estão no fim de um banquete, os dous homens deitados à maneira antiga, Myrto sentada entre os dous leitos. Três escravos.)

LYSIAS.

Melancolica estás, bela Myrto. Bebamos!

Aos prazeres!

CLEON.

Eu bebo à memoria de Samos. / Samos vai terminar os seus dourados dias; / Adeus, terra em que achei consolo às agonais / Da minha mocidade; adeus, Samos, adeus!

MIRTO.

Querem-lhe os deuses mal?

CLEON.

Não; dous olhos, os teus.

LYSIAS.

Bravo, Cleon!

MIRTO.

Poeta! os meus olhos?

CLEON.

São lumes / Capazes de abrasar até os próprios numes. / Samos é nova Troya, e tu és outra Helena, / Quando Lesbos, a mão do Sappho, a ilha amena, / Não vir a bela Myrto, a alegre cortesã, / Armar-se-ha contra nós.

LYSIAS.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Machado de Assis