Uma Ode de Anacreonte
Machado de Assis (1839–1908)
O começo — Abertura
A cena é em Samos.
A cena é em Somos.
Sala de festim em casa de Lysias. A esquerda a mesa do festim; à direita uma mesa tendo em cima uma lampada apagada, e junto da lampada um rolo de papiro.
CENA I LYSIAS, CLEON, MIRTO. (Estão no fim de um banquete, os dous homens deitados à maneira antiga, Myrto sentada entre os dous leitos. Três escravos.)
LYSIAS.
Melancolica estás, bela Myrto. Bebamos!
Aos prazeres!
CLEON.
Eu bebo à memoria de Samos. / Samos vai terminar os seus dourados dias; / Adeus, terra em que achei consolo às agonais / Da minha mocidade; adeus, Samos, adeus!
MIRTO.
Querem-lhe os deuses mal?
CLEON.
Não; dous olhos, os teus.
LYSIAS.
Bravo, Cleon!
MIRTO.
Poeta! os meus olhos?
CLEON.
São lumes / Capazes de abrasar até os próprios numes. / Samos é nova Troya, e tu és outra Helena, / Quando Lesbos, a mão do Sappho, a ilha amena, / Não vir a bela Myrto, a alegre cortesã, / Armar-se-ha contra nós.
LYSIAS.
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