Mais uma
Lima Barreto (1881–1922)
O começo
Temos agora, neste nosso extraordinário Brasil, mais uma academia de letras: a da Bahia.
A primeira coisa que logo chama a atenção de quem lê a lista dos seus membros e respectivos patronos, é o ar de família que apresenta a novel instituição sábia.
Monizes de Aragão há lá quatro, quase a décima parte da academia efetiva, além de dois outros Monizes, mas não de Aragão, que devem ser primos dos primeiros.
Isto unicamente entre os membros; não falamos aqui nos patronos.
Castro Rebelos, há dois, o Afonso e o Frederico; e assim por diante.
Se fosse no Ceará, com o exemplo político dos senhores Accióli ou Barroso, a coisa estaria explicada; mas em São Salvador, não se sabe bem onde foram os baianos buscar padrão para semelhante oligarquia.
Os patronos são em grande número completamente estranhos a coisas de letras. O senhor Teodoro Sampaio tomou para epônimo André Rebouças. Estamos a apostar que, se Rebouças, com o seu caráter e honestidade intelectual, pudesse falar de lá da Eternidade, havia de protestar, asseverando que era engenheiro, pura e simplesmente, e não literato de qualquer espécie.
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