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Ludovina Moutinho

Machado de Assis (1839–1908)

Poesia3 min de leitura2 páginas

O começo

A bondade choremos inocente / Cortada em flor que, pela mão da morte, / Nos foi arrebatada dentre a gente. / Camões. — Elegias .

Se, como outr'ora, nas florestas virgens, / Nos fosse dado — o esquife que te encerra / Erguer a um galho de arvore frondosa, / Certo, não tinhas um melhor jazigo

Do que ali, ao ar livre, entro os perfumes / Da florente estação, imagem viva / De teus cortados dias, e mais perto / Do clarão das estrelas.

Sobre teus pobres e adorados restos, / Piedosa a noite, ali derramaria / Do seus negros cabelos puro orvalho; / Á borda do teu ultimo jazigo / Os alados cantores da floresta / Iriam sempre modular seus cantos; / Nem letra, nem lavor de emblema humano, / Relembraria a mocidade morta; / Bastava só que ao coração materno, / Ao do esposo, ao dos teus, ao dos amigos, / Um aperto, uma dor, um pranto oculto, / Dissesse: — Dorme aqui, perto dos anjos, / A cinza de quem foi gentil transunto / De virtudes e graças.

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