Quem Boa Cama Faz...
Machado de Assis (1839–1908)
O começo — I
Ao sair do gabinete do pai, o bacharel Luís Fonseca trazia o rosto fechado, rangia os dentes e dava-se interiormente a todos os diabos de ambos os mundos, este e o outro. Entrou na alcova e fechou-se por dentro. Alguns minutos passeou de um lado para outro, gesticulando e murmurando palavras soltas, até que se sentou numa cadeira de balanço e fumou seguidamente dois charutos. Vieram chamá-lo para jantar e não quis; mas recebendo um recado intimativo do desembargador, seu pai, lá se foi arrastando até à mesa, onde pouco mais de nada comeu.
A causa de todo este mistério era nem mais nem menos um casamento. Logo depois do almoço desse dia, que era um domingo, o desembargador Fonseca mandou chamar o filho ao seu gabinete, e mal o vira entrar fechou a porta. Luís franziu a testa, mas esperou.
— Luís, disse o pai depois de alguns instantes: eu e tua mãe assentamos em fazer-te feliz. Estamos velhos e queremos deixar-te arranjado e tranquilo. Resolvemos casar-te.
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