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Os Arlequins (Ortografia Atualizada)

Machado de Assis (1839–1908)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Que deviendras dans l’éternité l’âme dun / homme qui a fait Polichinelle toute sa vie? / (M.me de Stael)

Musa, depõe a lira! / Cantos de amor, cantos de glória esquece! / Novo assunto aparece / Que o gênio move e a indignação inspira. / Esta esfera é mais vasta, / E vence a letra nova a letra antiga! / Musa, toma a vergasta, / E os arlequins fustiga!

Como aos olhos de Roma, / — Cadáver do que foi, pávido império / De Caio e de Tibério, / O filho de Agripina ousado assoma; / E a lira sobraçando, / Ante o povo idiota e amedrontado, / Pedia, ameaçando, / O aplauso acostumado;

E o povo que beijava / Outrora ao deus Calígula o vestido, / De novo submetido / Ao régio saltimbanco o aplauso dava. / E tu, tu não te abrias, / Ó céu de Roma, à cena degradante! / E tu, tu não caías, / Ó raio chamejante!

Tal na história que passa / Neste de luzes século famoso, / O engenho portentoso / Sabe iludir a néscia populaça; / Não busca o mal tecido / Canto de outrora; a moderna insolência / Não encanta o ouvido, / Fascina a consciência!

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