Dois Meninos
Lima Barreto (1881–1922)
O começo
De há muito queria eu dizer publicamente todo o bem que me merecem o esforço e o ardor intelectual desses dois meninos que se assinam Tasso da Silveira e Andrade Murici.
Motivos de toda ordem me têm impedido; mas hoje, felizmente, posso fazê-lo, se não completa, ao menos com a máxima boa vontade.
Muito moços, tanto assim que eu, não me considerando de todo velho, os posso tratar assim familiarmente, paternalmente, de meninos, estrearam, como toda a gente, com "plaquettes" de versos, nas quais, se não havia remígios, não denunciavam, contudo, quedas irremediáveis.
Eram, como se costuma dizer, os seus cartões de visita, apresentando-os ao complicado mundo das letras.
Daí por diante, cedendo a uma incoercível vocação íntima, lançaram-se à crítica literária, à boa crítica do estudo profundo, simpático, sereno, de autores e de obras. Mostraram essa aptidão aqui e ali, fundaram uma excelente revista - América Latina - que vai prosperando com o vagar com que prosperam essas nobres tentativas entre nos.
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