Rufina (V)
Amadeu Amaral (?–1929)
O começo
Tornei a ver a minha Rufina, afinal.
Corria eu os olhos pelos passageiros, com essa curiosidade vaga, sem garra nem asa, que nos resta nas horas de fadiga. Vi num banco de trás o prático de farmácia, com um livro de Allan Kardec sobre os joelhos e a fazer gracinhas a uma criança, cuja mãe era uma guapa mocetona. Vi o simpático Berredo, inimigo da Medicina, médico amador. Benzi-me em espírito com a canhota, e desviei os olhos: dei com eles num banco todo ocupado por mulheres idosas e feias, não sei se mais idosas do que feias, e tinham os cabelos entre o grisalho e o branco amarelado. Mas a velhice é uma coisa venerável. Contemplei aquelas caras a ver se conseguia extrair de alguma delas a imagem reconstituída de uma beleza…
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