Revelações, de A. E. Zaluar
Machado de Assis (1839–1908)
O começo
Dois motivos me levam a falar do livro do Sr. A. E. Zaluar; o primeiro, é o próprio merecimento dele, a confirmação que essas novas páginas trazem ao talento do poeta; o segundo, é ser o autor das Revelações um dos que conservam mais viva a fé poética e acreditam realmente na poderosa influência das musas.
Parece, à primeira vista, coisa impossível um poeta que condene a sua própria missão, não acreditando nos efeitos dela; mas, se perscrutar cuidadosamente, ver-se-á que este fenômeno é, não só possível, como até não raro.
O tom sinceramente elegíaco da poesia de alguns dos mestres contemporâneos deu em resultado uma longa enfiada desses filhos das musas, aliás, talentosos, em cuja lira a desconfiança e o abatimento tomam o lugar da fé e da aspiração.
Longe a ideia de condenar os que, após longa e dolorosa provação, sem negarem a grandeza de sua missão moral, soluçam por momentos desconsolados e desesperançados. Desses sabe-se que a cada gota de sangue que lhes tinge os lábios corresponde um rompimento de fibras interiores; mas entre esses sofrimentos, muitas vezes não conhecidos de todos, e o continuado lama sabactani dos pretendidos infelizes, há uma distância que a credulidade dos homens não deve preencher.
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