
Memorial de Aires
Machado de Assis (1839–1908)
O começo — Advertência
Em Lixboa, sobre lo mar, / Barcas novas mandei lavrar… / Cantiga de Joham Zorro. / Para ver meu amigo / Que talhou preyto comigo, / Alá vou, madre. / Para ver meu amado / Que mig'a preyto talhado, / Alá vou, madre. / Cantiga del rei Dom Denis.
Quem me leu Esaú e Jacó talvez reconheça estas palavras do prefácio: "Nos lazeres do ofício escrevia o Memorial, que, apesar das páginas mortas ou escuras, apenas daria (e talvez dê) para matar o tempo da barca de Petrópolis".
Referia-me ao Conselheiro Aires. Tratando-se agora de imprimir o Memorial, achou-se que a parte relativa a uns dois anos (1888-1889), se for decotada de algumas circunstâncias, anedotas, descrições e reflexões, — pode dar uma narração seguida, que talvez interesse, apesar da forma de diário que tem. Não houve pachorra de a redigir à maneira daquela outra, — nem pachorra, nem habilidade. Vai como estava, mas desbastada e estreita, conservando só o que liga o mesmo assunto. O resto aparecerá um dia, se aparecer algum dia.
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