Livros › Machado de Assis › Joaquim de Nabuco: Pensées Détachées et Souvenirs

Capa de Joaquim de Nabuco: Pensées Détachées et Souvenirs

Joaquim de Nabuco: Pensées Détachées et Souvenirs

Machado de Assis (1839–1908)

Crítica literária5 min de leitura5 páginas

O começo

MEU QUERIDO NABUCO, — Quero agradecer-lhe a impressão que me deixaram estas suas páginas de pensamentos e recordações. Vão aparecer justamente quando V. cuida de tarefas práticas de ordem política. Um professor de Douai, referindo-se à influência relativa do pensador e do homem público, perguntava uma vez (assim o conta Dietrich) se haveria grande progresso em colocar Aristides acima de Platão, e Pitt acima de Locke. Concluía pela negativa. Você nos dá juntos o homem público e o pensador. Esta obra não feita agora mas agora publicada, vem mostrar que em meio dos graves trabalhos que o Estado lhe confiou não repudia as faculdades deles de artista que primeiro exerceu e tão brilhantemente lhe…

Erro é dizer como V. diz em uma destas páginas, que "nada há mais cansativo que ler pensamentos". Só o tédio cansa, meu amigo e este mal não entrou aqui, onde também não teve acolhia a vulgaridade. Ambos, aliás, são seus naturais inimigos. Também não é acertado crer que, "se alguns espíritos os leem, é só por distração, e são raros". Quando fosse verdade, eu seria desses raros. Desde cedo, li muito Pascal, para não citar mais que este, e afirmo-lhe que não foi por distração. Ainda hoje quando torno a tais leituras e me consolo no desconsolo do Ecclesiastes, acho-lhes o mesmo sabor de outrora. Se alguma vez me sucede discordar do que leio, sempre agradeço a maneira por que acho expresso o…

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Machado de Assis