
A Senhora Rattazzi
Camilo Castelo Branco (1825–1890)
O começo — Á NOVA EDIÇÃO
O assumpto aqui tratado—a brochura da snr.^a Rattazzi—tem duas fisionomias: uma para risos, outra para critica sisuda. Se uma das faces nos avinca a fronte, a outra tem virtudes therapeuticas de désopiler la rate . Eu tentei, pela galhofa pachorrenta, esquivar-me às frases amargas que a segunda fisionomia—a seriedade—me impunha.
Se uma dama de má língua nos belisca, devemos imaginar que ela nos faz cócegas; e, em vez de lhe trincarmos os dedos que nos estorcegaram a pele, corre-nos o dever de imitar quem sofre as cócegas—rir e pernear; mas a mim, às vezes, succedia-me, quando fazia cócegas a alguém, levar o meu sopapo involuntário. É o que pode acontecer a quem faz cócegas disfarçadas em beliscões.
Un ami de madame, no Jornal de Noticias , cheio de uma paciência portuguesa e muito namorada com as lerdas chalaças da snr.^a Rattazzi, acha que o zangarem-se os portugueses beliscados por madame é falta de espirito .
Camilo Castelo Branco (autor) morreu em 1890; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1961.