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A Espada de Alexandre: Corte Profundo da Questão do Homem-Mulher e Mulher-Homem

Camilo Castelo Branco (1825–1890)

FilosofiaCrônica e ensaio41 min de leitura36 páginas

O começo

Jesus não fez o casamento: quis fazer a nova Eva, com o pé sobre os colmilhos da serpe, e a fronte amparada no seio amantissimo do homem. Ah! Jesus disse: «Amai-vos!» Isto de: «maridai-vos» é preceito de concilios, e é palavra que não soa no lexicon hebreu nem chaldeu. Ser-me-hia mais fácil encontrá-la em Petronio que em S. Paulo. Ressuma dessa palavra um travo de impudor. Quando ela vier do íntimo seio aos lábios da mulher, já lá dentro não há flor que lhe perfume o furtum. Maridança! --expressão deslavada de um ato sem vislumbre de ideal, a desfloração a começar na prosódia, um rebaixamento daquele prodígio da fantasia genetica—da mulher--à condição da fêmea, da retorta, do recipiente, da…

Atroz, snr. Raimundo, atroz!

Que é o adultério?

É a razão insurgida contra o absurdo do vinculo indissolúvel.

Camilo Castelo Branco (autor) morreu em 1890; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1961.

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