
O Guarani: Romance Brasileiro — Volume 2
José Martiniano de Alencar (1829–?)
O começo — I A PARTIDA
Na segunda-feira, eram seis horas da manhã, quando D. Antonio de Mariz chamou seu filho.
O velho fidalgo velara uma boa parte da noite; ou escrevendo ou refletindo sobre os perigos que ameaçavão sua família.
Pery lhe havia contado todas as particularidades de seu encontro com os Aymorés; e o cavalheiro, que conhecia a ferocidade e espirito vingativo dessa raça selvagem, esperava a cada momento ser atacado.
Por isso, de acordo com Alvaro, D. Diogo, com seu escudeiro Ayres Gomes, tinha tomado todas as medidas de precaução que as circunstâncias e sua longa experiencia lhe aconselhavão.
Quando seu filho entrou, o velho fidalgo acabava de selar duas cartas que escrevêra na véspera.
—Meu filho, disse ele com uma ligeira emoção, refleti essa noite sobre o que nos pode acontecer, e assentei que deves partir hoje mesmo para S. Sebastião.
—Não é possível, senhor!… Afastais-me de vós justamente quando correis um perigo?
José Martiniano de Alencar (autor) morreu em 1877; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1948.