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O Guarani: Romance Brasileiro — Volume 1

José Martiniano de Alencar (1829–?)

O romance de aventura que virou ópera, novela e imaginário nacional.

RomanceAventura4 h 20 de leitura227 páginas

Por que ler

Peri e Ceci fundaram um jeito de o Brasil se imaginar: o índio nobre, a moça branca, a floresta como cenário grandioso. Alencar publicou em folhetim, capítulo a capítulo, e a estrutura mostra — cada trecho termina puxando o seguinte.

Para observar

Peri é indígena idealizado a ponto de deixar de ser gente. Pergunte o tempo todo: quem está descrevendo, e para quem?

O começo — I SCENARIO

De um dos cabeços da Serra dos Órgãos desliza um fio dágua que se dirige para norte, e engrossado com os mananciais, que recebe no seu curso de dez léguas, torna-se rio caudal.

É o Paquequer : soltando de cascata em cascata, enroscando-se como uma serpente, vai depois se espreguiçar na várzea e embeber no Parahyba, que rola magestosamente em seu vasto leito.

Dir-se-hia que vassalo e tributário desse rei das águas, o pequeno rio, altivo e sobranceiro contra os rochedos, curva-se humildemente aos pés do suzerano. Perde então a beleza selvatica; suas ondas são calmas e serenas como as de um lago, e não se revoltão contra os barcos e as canoas que resvalão sobre elas: escravo submisso, sofre o latego do senhor.

Não é neste lugar que ele deve ser visto; sim três ou quatro léguas acima de sua foz, onde é livre ainda, como o filho indomito desta pátria da liberdade.

Aí, o Paquequer lança-se rápido sobre o seu leito, e atravessa as florestas como o tapir, espumando, deixando o pelo esparso pelas pontas de rochedo, e enchendo a solidão com o estampido de sua carreira. De repente, falta-lhe o espaço, foge-lhe a terra; o soberbo rio recúa um momento para concentrar as suas forças e precipita-se de um só arremesso, como o tigre sobre a presa.

José Martiniano de Alencar (autor) morreu em 1877; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1948.

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