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Capa de Ubirajara: Lenda Tupi

Ubirajara: Lenda Tupi

José Martiniano de Alencar (1829–?)

Alencar tenta imaginar o indígena antes da chegada de qualquer europeu.

RomanceReligião e mito2 h 30 de leitura136 páginas

Por que ler

Publicado em 1874, é a terceira ponta do projeto indianista de Alencar — e a mais estranha, porque não há colonizador nenhum na história. Ele quis reconstruir um mundo, e reconstruiu com as ferramentas do romance europeu. O resultado diz mais sobre 1874 do que sobre o século XVI.

Para observar

Alencar pôs notas de rodapé eruditas para provar que pesquisou. Leia as notas: elas são metade do livro, e mostram o que ele estava tentando defender.

O começo — I O CAÇADOR

Pela marjem do grande rio caminha Jaguarê, o jovem caçador.

O arco pende-lhe ao ombro, esquecido e inútil. As flechas dormem no coldre da uiraçaba.

Os veados saltam das moitas de ubaia e vêm retouçar na grama, zombando do caçador.

Jaguarê não vê o tímido campeiro; seus olhos buscam um inimigo capaz de rezistir-lhe ao braço robusto.

O rujido do jaguar abala a floresta; mas o caça 6 dor também despreza o jaguar, que já cançou de vencer.

Ele chama-se Jaguarê, o mais feroz jaguar da floresta; os outros fojem espavoridos quando de lonje o presentem.

Não é esse o inimigo que procura, porém outro mais terrível, para vencê-lo em combate de morte e ganhar nome de guerra.

Jaguarê chegou à idade em que o mancebo troca a fama do caçador pela gloria do guerreiro.

Para ser aclamado guerreiro por sua nação é preciso que o jovem caçador conquiste esse titulo por uma grande façanha.

Por isso deixou a taba dos seus e a presença de Jandira, a virjem formosa que lhe guarda o seio de esposa.

José Martiniano de Alencar (autor) morreu em 1877; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1948.

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