O Bem e o Mal: Romance
Camilo Castelo Branco (1825–1890)
O começo — PREFACIO DA SEGUNDA EDIÇÃO
Foi vagarosa a saída da primeira edição deste livro.
É obvia e, ao mesmo passo, desconsoladora a explicação. A novela não perdeu por mal escrita; mas por mal pensada. Quanto a linguagem tanto montava o quilate desta como o das suas irmãs. A incorrecção é o castigo de quem escreve muito à pressa para ir acabando mais de vagar. Em Portugal é preciso isto.
O defeito deste livro é a superabundância de virtudes de infastiar leitores que as exercitam iguais e maiores, todos os dias.
Ainda bem.
Quem quiser voga e fama pinte e salpique de sangue e lama os seus painéis. Ganhar a curiosa atenção dos leitores somente é permitido a quem lhes dá notícia de cousas não sabidas nem experimentadas. A virtude é o ranço destas gordas almas da nossa terra. Relatem-se crimes de cafrárias em linguagem de cafra.
S. Miguel de Seide, agosto de 1868.
Camillo Castello Branco.
[6]
[7]
AO / PADRE ANTONIO DE AZEVEDO
Nome que os pobres, seus irmãos, reverenceiam, e os enfermos da alma abençoam; ancião virtuoso; operário infatigável em serviço de DEUS e da humanidade
Camilo Castelo Branco (autor) morreu em 1890; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1961.