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Vinte Horas de Liteira: Romance Original

Camilo Castelo Branco (1825–1890)

Romance3 h 50 de leitura198 páginas

O começo

Ferraria de Baixe n. lOS ^^^/VOATIOHS INTRODUCÇÃO O progresso é uma voragem !

A liteira já se debate nas fauces do monstro. Vai cair a fatal hora I Daqui a pouco, a liteira desaparecerá da face da Europa.

O derradeiro refugio da anciS era Portugal. Nem aqui a deixaram neste museu de antigualhas I Nem aqui ! Â pobrezinha, a decrépita coberta do pó e suor de sete séculos, tirita estarrecida de pa- Tor| escutando o hórrido fremir do wagon, que bate as crepitantes azas de infernal hippogrypho.

Ao passo que o vapor talava os plainos, galgava ela, espavorida, os desfiladeiros para esconder-se. Mas o camartello e o rodo escalaram o agro e penhascoso das serras, e a liteira, acossada pelo Char-à'bancsj sumiu-se ainda nas veredas pedrego- IV INTEODUCÇXO

— Quem te leva ?

— Esta pulmoeira de quatro pés.

— Tem juízo, homem ! Deixa às feras do Marão a burra, e senta-te aí dentro nessa liteira.

Quando bem me convenci de que não sonhava, a minha gratidão a António Joaquim mal me eabia no peito, dilatado pelo jubilo. Marinhei à janela, trepando-me num tronco de videira, e apertei-lhe a mão, exclamando :

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