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Um Homem de Brios

Camilo Castelo Branco (1825–1890)

Romance3 h 50 de leitura207 páginas

O começo

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TERCEIRA EDIÇÃO EM CASA DE CRUZ COUTINHO— EDITOR

— 6 — aradas que impediram fazerem-se conhecidas as Memorias DE D. João. livro excelente de Mallefille, atribui este naufrágio às tempestades das últimas revoluções francesas. No ardor das refregas sociais, quando a liberdade, ébria de sangue, obedecia à inspiração vertiginosa do seu novo pacto social, quem leria as Memorias de D. João?

Os meus naufrag;ios devem-se a causas menos calamitosas para a humanidade. É dela todo o proveito, se esquece na estante do editor arruinado um livro, que teve a imprevidência de nascer quando a montanha mugia trabalhada nas dores do seu parto.

Eu tenho visto ratos darem à luz montanhas; um grão dareia encravar o eixo do globo; causas insignificantes produzirem eíFeitos estrondosos; mas d*esta vez não me maravilhou o silencio desanimador com que a critica recebeu o meu pobre volume.

 época era do meu amigo Faustino Xavier de Novaes. Âs ridicularias mais acessíveis ao olho do vulgo esperavam pena hábil que as moldasse na quintilha salgada da musa popular. Essa aptidão é o raro dom dos que entram os ombraes da imortalidade a rir das coisas e das pessoas deste mundo. É o dom indisputável do senhor Novaes. É a máxima do cavaleiro d^Oliveira:

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