O Mandarim
Eça de Queirós (1845–1900)
O começo
u chamo-me Theodoro — e fui amanuense do Ministério do Keino.
JSPesse tempo vivia eu à travessa da Conceição n.° 106, na casa de hospedes da D. Augusta, a esplêndida D. Augus-ta, viúva do major Marques. Tinha dois companheiros : o Cabrita, empregado na Administração do bairro central, esguio
e amarelo como uma tocha denterro; "e o possante, o exuberante tenente Couceiro, grande tocador de viola francesa.
A minha existência era bem equilibrada e suave. Toda a semana, de mangas de lustrina à carteira da minha repartição, ia lançando, numa formosa letra cursiva, sobre o papel Tojal do Estado, estas frases fáceis: «EL™ e Exc™ Snr. — Tenho a honra de comunicar a V. Exc. a . . . Tenho a honra de passar às mãos de V. Exe.% Hir e Exc.™ Snr. . . »
Aos domingos repousava: installa-
va-me então no canapé da sala de
i —
jantar, de cachimbo nos dentes, e admirava a D. Augusta, que, em dias de missa, costumava limpar com clara dovo a caspa do tenente Couceiro. Esta hora, sobretudo no verão, era deliciosa : pelas
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