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Cartas de Inglaterra

Eça de Queirós (1845–1900)

Crônica e ensaio3 h 30 de leitura184 páginas

O começo — I

Recomeçando hoje estas CARTAS DE INGLATERRA—que eu não podia escrever de Lisboa, onde estive alguns meses gozando os ócios de Tityro, sub tegmine fagi , à sombra dessa faia constitucional que se chama o Gremio—devo memorar, ainda que tarde, a morte de Benjamin Disraeli, Lord Beaconsfield, ocorrida no dia 19 de maio, pela madrugada, em Londres, na sua casa de Curzon Street. A doença de Lord Beaconsfield, uma complicação de gota, asthma e bronchite, arrastou-se cruel e longa; o mal porém foi debelado e Lord Beaconsfield sucumbiu realmente à fraqueza, à fadiga dos setenta e sete anos e uma existência tão episodica, tão cheia, tão emotiva, que ela ficará como o seu melhor romance, bem superior…

[96]Desde o primeiro dia, Lord Beaconsfield perdeu logo a esperança de se restabelecer; mas passou a encarar a morte como encarára sempre as suas derrotas politicas: com uma coragem desdenhosa e fria e um ar de fácil superioridade. Durante a doença, aos acessos agudos da dor, respondia ele com esses sarcasmos mordentes e rebrilhantes, que tinham sido sempre a sua desforra querida perante um adversário mais forte.

Eça de Queirós (autor) morreu em 1900; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1971.

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