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O Judeu: Romance Histórico

Camilo Castelo Branco (1825–1890)

História3 h 40 de leitura192 páginas

O começo

ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA ESCRITOR PORTUGUEZ O JUDEU PARTE PRIMEIRA CAPÍTULO I Ha um fenômeno moral, muitas vezes repeti* do, e todavia inexplicável : é a esquivança desamorosa de mãe a um filho excluído da ternura com qvp estremece os outros, filhos todos do mesmo abençoa* do amor e do mesmo pai, que ela, em todo o tem* po, amara com igual vebemencia. Tristíssima verdade, exemplificada como o principal dos absurdos e lamentáveis enigmas da condição humana Mysterio é este vedado às dilucidações filosóficas ; e, por tanto, mais defeso ainda às superficiais averiguações de um romancista, que, muito pela rama apenas e imperfeitamente, pôde desenhar o exterior dos factos, abstendo-se de esmerilhar…

Exemplo desta aberração — se devemos chamar aberrações às deformidades morais que não dependem da vontade humana — era uma nobilíssima fidalga, que, em 1699, residia no seu palácio da rua larga da Bemposta, em Lisboa.

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