Livros › Camilo Castelo Branco › Mistérios de Lisboa

Capa de Mistérios de Lisboa

Mistérios de Lisboa

Camilo Castelo Branco (1825–1890)

Romance7 h 30 de leitura399 páginas

O começo

«Esperava que ele me dissesse que queria fazer sociedade comigo à mesa. Não m'o disse; e eu também não quis dizer'lh'o. Convidei-o para, passados os dias do descanso, ser apresentado em algumas casas, Respondeu-me que o dispensasse desse sacrifício.

«Reconheci todo o melindre daquela situação. Res*- peitei-lhe a dor como um mistério sagrado. Nunca lhe disse uma palavra que denunciasse a minha curiosidade; não tive por isso de corar segunda vez.

«Passados alguns dias, disse-me que queria retirar-se para um dos arrabaldes. O meu patrão possui uma linda chacra no Bota-fogo. Offereci-lh'a : aceitoua* «Visitei-o aí algumas vezes. Era um envelhecer que fazia dó! Disse-me que sofria muito do peito. Aconselhei -lhe que se retirasse para Portugal. Sorriu-se, e apontou-me para as cruzes do cemitério, que alvejavam através de um arvoredo.

«Perguntas-me tu: — quem era esse homem?

«Não o sabia.

<No fim de sete meses, acbei-o com todos os sintomas de um ético, quando as folhas principiam a cair, queimadas pelo sol do estio, lá no nosso belo Portugal.

A instituição que digitalizou declara a obra fora de direito autoral (Internet Archive, possible-copyright-status: NOT_IN_COPYRIGHT). Texto obtido por OCR: pode conter erros de leitura.

Mais de Camilo Castelo Branco