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Mistérios de Fafe

Camilo Castelo Branco (1825–1890)

Política e sociedade4 h 30 de leitura240 páginas

O começo

— Por que o dote é pequeno? Faça vocemecè de conta que sobre as trinta moedas, que lhe deu a madrinha, ainda eu lhe ponho este oiro que aqui está!— E, dizendo, tinia com a saquila sobre a mesa, levantai ido-se em ímpetos de heroica generosidade.

— O negocio ê outro...— explicou o espingardeiro. — A sua filha se casasse comigo, havia de ser à vontade de!la e não de vocemecê. O dinheiro não me cega, senhor João. Vocemecè bem no sabe. A mim tanto me faz que ela tenha um, como dois, como nada... Sabe que mais? Acabemos com isto. que é tarde; e eu ainda tenho de bolar hoje uma coronha, que fiquei de dar amanhã.

— Então vocemecê não quer minha filha?— instou o pai de Rosa, batendo-lbe solenemente nas espáduas com ambas as mãos.

— isto de filhas — tornou o artífice — não se ajustam como vitelas na feira, senhor João! E tome o conselho de um rapaz de ofício e ignorante: não case a sua rapariga por esse sistema; que vai mal encarreirado. JJeixe-a escolher, e depois vocemecè veja se o negocio serve; se serve, muito que bem; se não serve, rlè-lue as suas rasões; mas, mal por MY8TKRI08 Dl FAF1 11 mal, antes ela case à vontade (Telia e pobre, do que à soa vontade e rica.

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