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Memórias do Carcere

Camilo Castelo Branco (1825–1890)

Romance3 h 20 de leitura175 páginas

O começo

CAiiuo cismio BIIUCS.

VOLUME n.

PORTO,

EM GASA DE VIUVA MORÉ — EDITORA,

PBAÇA DE D. PEDRO.

A mesma casa em Coimbra, 1 Casa de CommissQes em Pm> Rua da Calçada. I 2 Rua d Arcole.

1862.

T7P. DE SEBASTIÃO JOSÉ PEREIRA, Rua do AUnada. 641.

MEMORIAS DO CÁRCERE.

I.

Noite alta saí do meu quarto. Os corredores estavam em escuridão cerrada. A luz da lâmpada apagára-se sob a presrâo aquosa do ar.

Ouvi o resopar cavernoso dos guardas, e o fremente assovio' do norte nos zimbórios magesfosos daquela caverna miasmatica.

Passei avante, apejpido às aranlas. Escorregavam-me os pés no soalho lamacento, e a fríaldacle gordurosa das paredes regelava-^né as nmos, e filtrava-me ao peito uma dór glacial,' angustia indescripti vel

Encostei-me às portadas do cubículo, que flhra oratório de padecentes, e avoquei à phantasià quantos pavores podiam acender-m'a em chámma febril.

E o vento, raspando nos ferros exteriores, semelhava os gemidos dos padecentes, conglobados nom só gemido,

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