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Folhas Verdes: Versos dos Quinze Anos

Teófilo Braga (1843–1924)

Poesia3 h de leitura160 páginas

O começo

Transpondo abismos, lá por horas mortas, A voz de uma alma que no mundo anceia, Doira-me a vida, angélica poesia, Muda em sonhos de amor a negra ideia.

CÂNTICO A PRIMAVERA

— 15 de julho de 1858 —

Que vaga harmonia, Que doida alegria Na terra, no ar ! Na flor dentre a sarça, No voo da ofarea Pairando no mar!

Na trc'mula ceara,

Que a cor imitara

Dos raios do sol!

Nos hinos que à sesta.

Na muda floresta,

« Diz um rouxinol.

Nas cordas da lira Fluctúa, suspira Anceio ideal ; As águas, as flores Embalam amores Na serra, no vai.

Desdobra-se o manto Que esconde o encanto De um peito de mãe ! Do ar a fragrância, Da terra a abundância Com risos nos vem !

Nas casas da aldeã. Que a lua alvaceia Por noite de amor : Lá canta a donzela, E à trova singela Responde o pastor.

A vaga plangente Vem triste, indolente Na areia bater I Alcyone, incerta Na praia deserta Divaga a gemer.

Amor, que esvoaça, Diluvies de graça Já vem derramar. Na vaga harmonia, Na doida alegria Da terra, do ar !

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