As Teocracias Literárias
Teófilo Braga (1843–1924)
O começo
Estamos numa terra em que a verdade para ser ouvida precisa trazer a forma do escândalo. A não vir deste modo é uma coisa ininteligível, obscura. Tanto melhor para quem aspira a ser entendido somente por aqueles que se pagam de sua obscuridade pela firmeza da consciência, e integridade de caráter.
A grande individualidade, resultado dos progressos deste século, vai tornando impossíveis todas as supremacias, tanto na religião, como no estado, como na arte. É para onde confluem todos os esforços, todas as lutas; é o mobil de ação na Europa moderna.
As realezas literárias foram as primeiras que acabaram, porque se compreendeu de pronto, que não era o modelo acadêmico, mas o sentimento puro, que nos havia elevar à perfeição, dar-nos a percepção imediata das formas que traduzem o belo na vida. Cada um, em vez de ir com os olhos nas pegadas do mestre, procurou desenvolver em si esse sentimento ingenito; é em vez de arrancarem curiosidades hybridas de sua fantasia, souberam descobrir como a eternidade se allia com as criações humanas. Passo dado pela evolução romântica.
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