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Ao Anoitecer da Vida: (Últimos Versos)

Camilo Castelo Branco (1825–1890)

Poesia1 h 40 de leitura85 páginas

O começo

LISBOA 71, Travessa da Victoria, 71 PREFACIO (d Alguns intendimentos haverá aí que possam e queiram ponderar a tristeza destas linhas. E desagradável ao leitor este convite. Tristezas, bastam-lhe as suas, não é assim? Ora, quem sabe se algum pouco de alivio e distração lhe leva esta confidencia do amigo, ou do indiferente, dolorosa confidencia, que vai correr perigo de ser motejada? Pois venha o motejo, que é bom sinal do alegre animo do leitor; e bem pôde ser que, ao fim do prefacio e dos versos, o espirito folgado, que começou mofando, acabe condoendo-se.

(1) Escripto em 1862, para ser então publicado. O manuscrito cTeste livro, treze anos na gaveta do comprador, decerto não melhorou; pois vem a lume num tempo em que a velha poesia se desluziu de todo. Horácio aconselhava aos escritores que engavetassem nove anos os seus produtos antes de os mandar à praça; mas não sabemos que algum legislador do Parnasso recommendasse treze anos de madureiro na gaveta do editor. A fruta, que então parecia verde, corre perigo de sair hoje podre. Meus pobres versos, por que Vos não queimei eu em 1862 ! . . . (1873)

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