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Estrelas Funestas

Camilo Castelo Branco (1825–1890)

Romance3 h 40 de leitura193 páginas

O começo — I

Alardeava em Lisboa suas pompas, liberalidades e desperdícios de rico morgado da província, Gonçalo Malafaya, primogênito e único de uma das três nobilissimas e mais opulentas casas do Porto.

Há muitos anos foi isto. Aí por 1778 é que o fidalgo portuense dava invejas aos da corte, e a muitos namorados se atravessava, tentando a constância das damas, e saíndo com a vitória, de que ele se lograva por mera ostentação, e nada mais que mareasse seu pundonor, ou o delas.

Algumas dessas damas levavam-lhe vantagem em pureza de sangue, e pouco o desegualavam em bens de fortuna. Admiravam-se os amigos de Gonçalo Malafaya que ele rejeitasse alianças de bom partido, vistas as condições das donas. Respondia ele que, desde menino, estava o seu casamento pactuado com D. Maria das Dôres, sua prima carnal, também filha única, e sucessora de grandes vínculos nas províncias do norte.

D. Maria das Dôres, menina de treze anos, saíra do convento de Arouca, onde fora educada com suas tias, e vestira o majestoso habito de aia da santa rainha Mafalda, costumeira já esquecida naquele mosteiro, fundado por uma rainha portuguesa daquele nome.

Camilo Castelo Branco (autor) morreu em 1890; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1961.

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